
Michael Kepp transcende fronteiras. Fugiu da cidade natal, St. Louis, Missouri e veio parar no Rio de Janeiro de Tom Jobim, do carnaval, da descontração carioca. Suas experiências ganham cor em crônicas algumas vezes cômicas, outras, comoventes.
Mike, às vezes, revela intimidades ao leitor: a hipocondria, o derrame, o acordo subentendido com sua mulher brasileira sobre quanto tempo, nas festas, eles podem falar com desconhecidos do sexo oposto, a primeira visita ao túmulo da mãe 48 anos depois da morte dela. Na verdade, Mike desnuda a alma, e até alguns — mas não os piores de seus defeitos, não para se vangloriar, mas para criar cumplicidade e até certa amizade com os leitores, deixá-los menos alienados, menos solitários. Radicado há 28 anos no país, esse gringo brasileiro, suspenso na fronteira entre duas pátrias, também observa as diferenças culturais entre elas com muito bom humor e uma clareza incomum. Nessa corda bamba cultural, Mike compara tudo — da etiqueta ao telefone e dos hábitos alimentares às atitudes sobre dinheiro, trabalho, família e amizade. Ele tempera outros textos com uma pitada de contemplação. Questiona o valor de viver intensamente, alerta sobre a supervalorização do sexo e especula sobre o que as mulheres realmente querem. Tudo sem repetir receitas convencionais. Suas crônicas são como quitutes literários originais, perfeitas para serem acompanhadas de riso, lágrimas e reflexão.


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"...Um dos melhores
cronistas do Brasil."
Luís Fernando Verissimo

Aos 33 anos Michael Kepp voou para o Rio de Janeiro porque é onde acabam todos os fugitivos dos filmes de Hollywood. Quando viu que podia sobreviver como freelancer para jornais americanos, ficou. Casado com uma piauiense há 18 anos e morando nessa pátria adotiva há 28, ele não prevê novas fugas internacionais. Em 1987, Michael voltou a escapar desta vez da camisa de força criativa do jornalismo para a liberdade das crônicas em jornais brasileiros. Com o tempo, começaram a ficar com cara de livro e, em 2003, publicou sua primeira coletânea, Sonhando com sotaque. Essa segunda coletânea mostra que Michael não perdeu o fôlego.
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